A maioria dos vereadores presentes na Câmara de Feira aprovou a realização da solenidade em homenagem ao Dia Municipal da Beleza Negra e ao Dia Municipal do Sacerdote e Sacerdotisa de Religião de Matriz Africana. A apreciação aconteceu nesta quarta-feira, quando o requerimento recebeu apenas um voto contrário do vereador Edvaldo Lima e uma abstenção. Como previsto no documento, a solenidade deverá acontecer no mês de setembro. O evento é promovido pelo Odungê (Núcleo Cultural Educacional e Social Quilombola), presidido por Maria Lourdes Souza Santana.

O autor da solicitação, vereador Petrônio Lima (Republicanos), destaca que o objetivo da solenidade é incentivar a estima e enaltecer a beleza negra. Ele acredita que é uma iniciativa importante no combate à discriminação e promoção da igualdade. “A cor da pele não diz sobre o caráter de ninguém e não diz se o indivíduo é bom ou ruim. Deus criou o homem a Sua imagem e semelhança, sem distinção de raça e cor”.

Ao informar que votaria contrário ao requerimento de Petrônio, Edvaldo Lima argumentou que seria uma iniciativa que caracterizava preconceito e discriminação com os brancos. “Ainda mais que é promovido por um grupo chamado de Odungê, que é de candomblé. Votarei contra”, disparou.

Mas, desta vez, ao contrário de pronunciamentos esdrúxulos anteriores na Casa, Edvaldo Lima foi repreendido duramente por colegas.

O professor Jhonatas Monteiro repudiou o posicionamento de Edvaldo Lima. “Este tipo de discriminação e preconceito velados não ficarão mais sem resposta”, acentuou Jhonatas.

Paulão do Caldeirão também se pronunciou. “Sou negão e não vejo nada demais no requerimento e em homenagear o evento. Não vejo ligação com o candomblé, como o vereador Edvaldo Lima afirmou”, disse.

Mas foi do vereador Sílvio Dias o posicionamento mais contundente sobre a polêmica. Foi uma aula de história sobre a raça negra, desde a escravidão até os dias atuais. Sílvio enquadrou Edvaldo Lima. “Posição preconceituosa, que nega a sua origem, nega a escravidão e o sofrimento provocado. É não reconhecer os crimes praticados contra a população negra”, enfatizou Sílvio Dias.

Lulinha lembrou que a data e o evento são reconhecidos no município e que a polêmica era desnecessária. “Esta Casa é de todos”, lembrou.

O vereador Professor Ivanberg também se manifestou revoltado com o posicionamento do colega Edvaldo Lima. “Repudio o negacionismo, vereador”.

Para aumentar a polêmica, Edvaldo Lima ainda pediu que fossem registrados os nomes dos vereadores evangélicos que votaram a favor do requerimento de Petrônio Lima. Mais polêmica à vista.